Belmiro Magalhães

Belmiro Magalhães diz que "o PS é parte do problema". Foto: Arquivo

A CDU do Porto rejeitou esta sexta-feira a hipótese de se coligar com o PS nas autárquicas de 2013, acusando os socialistas de defenderem políticas de direita e anunciando preferir bater-se “de forma autónoma” por uma mudança de políticas.

“O PS é um partido de políticas de direita. O PCP e a CDU defendem políticas de esquerda e, nesse sentido, iremos continuar a bater-nos de forma autónoma para a concretização de uma mudança de política na cidade e no país, coisa que, objectivamente, o PS não pretende”, afirmou Belmiro Magalhães, do PCP.

O coordenador da Direcção Regional da Organização do PCP do Porto falava aos jornalistas no fim de uma conferência de imprensa em que denunciou a “negociação vergonhosa” entre PS, PSD e CDS para aprovar um mapa de extinção de freguesias com vista a que a reorganização mantenha “a correlação de forças existente” entre aqueles partidos.

“O PCP e a CDU chamam a atenção para a demagogia e contradição do PS, em particular da concelhia do Porto, que tem vindo publicamente a defender uma coligação de esquerda para a cidade, incluindo com a CDU, mas na prática põe-se ao lado do PSD e do CDS nas piores políticas de direita”, criticou Belmiro Magalhães.

Acusando o presidente da concelhia do PS Porto, Manuel Pizarro, de uma “lógica eleitoral bipolar”, Belmiro Magalhães observa que, “ao mesmo tempo que apregoa a defesa de uma coligação de esquerda”, o dirigente socialista “está a negociar, nos bastidores, com os partidos de direita, que tão mal têm governado os destinos da cidade e do país“.

“Neste momento, o PS é parte do problema“, disse.

O processo de extinção de freguesias é, para a CDU, o “mais esclarecedor” desta postura socialista, mas existem outros.

“O PS Porto apoiou a demolição do bairro do Aleixo, a definição do actual modelo da Sociedade de Reabilitação Urbana, a privatização dos serviços de limpeza e o regulamento de censura da propaganda política”, alerta o responsável.

Coligação com o BE afastada

Quanto a uma coligação com o Bloco de Esquerda, também parece estar afastada.

“É uma questão que hoje não se coloca. Não foi ainda manifestada por parte do BE nenhuma intenção nesse sentido. E há aspectos que separam os 2 partidos. Aquilo que sabemos é que continuaremos empenhados em afirmar a CDU pelas nossas próprias propostas e pelo conteúdo da nossa alternativa”, frisou.

Belmiro Magalhães alertou ainda que, “em matéria do poder local, o BE tem uma posição muito distinta da CDU”.

“O BE mostra-se disponível para alterar os limites das freguesias, defendendo que para tal devam acontecer referendos. A CDU defende que esta lei é anti-social, anti-democrática e não tem condições para vir a ser concretizada e que os órgãos autárquicos devem rejeitar a sua aplicação”, exemplificou.