Escola da Fontinha

"Okupas" dinamizaram escola. Foto: Arquivo

O movimento Es.Col.A vai poder continuar a usar a antiga escola primária do Alto da Fontinha, no Porto, enquanto a Câmara do Porto não precisar do espaço. A notícia foi dada esta terça-feira pela vereadora do Conhecimento e Coesão Social, Guilhermina Rego.

“A vereadora deu-nos conhecimento de que o projecto que já existia para a Escola da Fontinha está parado, pelo que decidiram conceder-nos o espaço com uma licença precária de utilização”, explica ao P24 Quica Oliveira, membro do movimento Es.Col.A, que dinamizou o espaço durante um mês (acabaram por ser despejados pela polícia).

A autarquia explica que a sua decisão se deve ao facto de ainda estar “em fase de negociação” o projecto que existe para o edifício, abandonado há 5 anos e degradado. A câmara disse aos representantes do movimento que, “se necessitasse antes do término do contrato das instalações para operacionalizar o projecto, pode denunciar o contrato, em conformidade com os prazos estipulados no mesmo”.

A licença é válida “até ao final do ano”, mas “pode prolongar-se por tempo ‘infinito’”. “Se um dia a câmara precisar do espaço, avisa-nos com 30 dias de antecedência, para nós, eventualmente, sairmos”, explica.

A licença de utilização será assinada quinta-feira, afirmou Quica Oliveira.

Apoio da opinião pública

Depois do despejo, o projecto passou para o Largo da Fontinha. Apesar das “muitas dificuldades”, “fizeram-se lá muitas actividades e boas”, diz Quica, satisfeita pelo regresso à escola.

“Vamos reflectir sobre tudo isto, sobre a abertura que tivemos, e, continuando em autogestão, calendarizar as nossas actividades, sabendo que estamos em espaço nosso, sempre voltado para a comunidade que em nós apostou”, diz. “Esta autorização dá-nos abertura para realizarmos actividades programadas a longo prazo, tendo sempre em conta que serão actividades de enriquecimento e valorização cultural”.

Para Quica Oliveira, a mudança de atitude da autarquia face ao projecto deve-se ao trabalho do movimento e à simpatia que conquistou na opinião pública (visível, por exemplo, numa petição que conta com quase 2000 assinaturas).

“Na primeira vez que fomos à câmara, levámos o projecto muito bem fundamentado, quer a nível ideológico, quer a nível de actividades, e eles tiveram ocasião de ver que nós não temos estado a brincar e que estamos mesmo interessados em promover a mudança e ajudar a população da Fontinha. Os meios de comunicação também ajudaram, dando mediatismo às nossas acções”, reflecte.

Notícia actualizada às 18h57 com as informações que constam da nota da autarquia.