A câmara está a recolher informação sobre o terreno onde está construído o Bolhão. Foto: Ana Isabel Pereira

Esta terça-feira, técnicos da Câmara do Porto estiveram no Mercado do Bolhão a conduzir sondagens geotécnicas.

Segundo apurou o P24, 4 técnicos estiveram no mercado para avaliar, por um lado, o estado em que se encontra o terreno e, por outro, o estado da estrutura do próprio edifício.

Contactada pelo P24, fonte oficial da Direcção Regional de Cultura do Norte, que elaborou o projecto de recuperação do mercado, explicou que os trabalhos em curso visam “fornecer informação para uma fase posterior do projecto”.

A mesma fonte sublinhou que, nesta fase, é já a Empresa Municipal de Gestão de Obras Públicas da autarquia que está no terreno. O P24 contactou o Gabinete de Imprensa da Câmara do Porto, mas ainda aguarda resposta.

No mercado, esta terça-feira, os comerciantes diziam que as trabalhos eram “para estudar o estado as fundações do Bolhão” e que os técnicos iam levar para o mercado “uma máquina” para fazer as sondagens.

O novo Mercado do Bolhão conciliará os tradicionais frescos com a restauração e lojas modernas, terá estacionamento, cobertura, acessos para pessoas com mobilidade e um conjunto alargado de novos serviços. O projecto de recuperação do edifício foi orçado entre 15 a 20 milhões de euros.

No âmbito do projecto elaborado pela DRCN, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto já tinha sido feitos estudos estruturais. Essa avaliação revelou, na altura, ser “possível a execução de caves”, uma vez que o terreno tem “solos de aterro que em algumas zonas atingem os 15 metros de profundidade”.

Comerciantes deixam o mercado

O presidente da Associação de Comerciantes do Mercado do Bolhão não sabe pormenores sobre os trabalhos agora em curso. “Não sabemos mais nada, a não ser que andam lá os técnicos. Eu tive conhecimento através de uma pessoa da câmara, um fiscal, na semana passada”, disse ao P24 Alcino Sousa.

O representante dos comerciantes lamenta que o abandono do mercado e sucessivos atrasos na obra de recuperação tenham levado à saída de alguns negócios. “Ainda a semana passada, foi um comerciante embora. Desde o início do ano, deixaram o mercado entre 5 e 10 comerciantes. Não temos um minimo de condições”, lamentou.

Pela mesma razão, mas também por “faltar união entre os comerciantes”, Alcino Sousa pondera deixar a presidência da ACMB em breve, num gesto de “repúdio”.

Sobre a necessidade de se fazer a obra, não tem dúvidas: “Este mercado precisa de ser renovado. Se for renovado, dará trabalho a muita gente. Da forma como está, não serve ninguém. Estamos a morrer aos bocados”.