Luís Filipe Menezes

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“O desejo de Lisboa é que o Norte nunca venha a ter líder” e “há quem trabalhe para conseguir na secretaria esse desiderato”, diz Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara de Gaia e ex-líder do PSD.

As afirmações surgiram este sábado quando o presidente da Câmara de Gaia foi questionado pelos jornalistas sobre as afirmações de Marcelo Rebelo de Sousa na sexta-feira, que afirmou que o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, não tem conseguido ser o líder do Norte e, “se ele não consegue, então mais ninguém consegue”.

Há “essa lógica ‘pitonizesca’ de que o Norte está condenado a não ter líder” e há “quem trabalhe para conseguir na secretaria esse desiderato”, afirmou Menezes, que considerou que o “Norte sempre teve grandes líderes no passado e que é impossível que uma região do país se levante sem lideranças fortes”.

Para o conselheiro de Estado, “o Porto pode ser uma grande cidade europeia e pode ser um factor determinante para o desenvolvimento do país, mas precisa de liderança e o último grande líder que teve e fraquejou, por razões diversas, foi Fernando Gomes”.

“No novo ciclo político que vem aí, o Norte tem possivelmente a última oportunidade em 2 ou 3 gerações de se tornar num grande centro alternativo a Lisboa, na segunda grande ponte urbana de entrada na Europa de quem olha do Atlântico e isso pressupõe entender o que é o Norte”, defendeu Luís Filipe Menezes.

Interrogado se poderia ser ele o próximo a ocupar a cadeira do poder no Porto, Menezes escusou-se a comentar, lembrando que se falava sobre a cidade era porque vivia “no Porto há 44 anos” e não conhece “a cidade pelo Google Earth”.

“Eu levantava-me às 6h quando havia aulas cedo, para descer a Rua do Almada quando havia pessoas a trabalhar na Rua do Almada às 6h, quando o Piolho abria às 7h30 porque já havia pessoas a trabalhar, quando andar em Cedofeita, Santo Ildefonso e Bonfim significava andar no meio de pessoas fossem 6h, 7h ou fosse o fim da tarde, quando o Bolhão era dos mercados mais radiosos da Europa”, recordou Menezes, afirmando que “há 44 anos que vive essa realidade e portanto é normal que fale do Porto”.