Nomes para a Metro chumbados por falta de competências específicas

Foto: Arquivo
A Comissão de Recrutamento e Selecção da Administração Pública (CRESAP) “chumbou” António José Lopes e António Samagaio para a administração da Metro do Porto por insuficientes competências específicas para cargos de gestão no “negócio público” em causa.
Quanto a André Sequeira e César Navio, vogais executivos da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), a CRESAP nada encontrou para se opor às suas nomeações.
De acordo com os resumos dos pareceres da CRESAP que a Lusa consultou esta terça-feira, esta entidade independente apresentou “reservas” à designação de António José Lopes “para o cargo de gestor público [administrador executivo da Metro do Porto] em virtude de não ter demonstrado variedade e qualidade de experiências nas diversas áreas da gestão e do conhecimento específico do negócio público em causa”.
António José Lopes, escolhido pela Junta Metropolitana do Porto (JMP), tem 55 anos, é licenciado em Economia pela Universidade do Porto, exerceu funções na subdireção financeira da STCP entre Janeiro de 1985 e Agosto de 1986, foi director central de compras e aprovisionamentos e sistemas de informação na Vista Alegre Atlantis, SA e, entre outros cargos, foi director administrativo e financeiro na EC-Material Elétrico, do Grupo General Electric.
Em relação a António Samagaio, de 56 anos, nome escolhido pelo Governo, a comissão considerou não haver “evidências de conhecimentos ou evidências nas áreas específicas de gestão de topo” para ocupar o cargo de vogal não executivo na Metro do Porto.
António Samagaio é licenciado em Engenharia Mecânica pela Universidade do Porto e doutorado em Ciências Aplicadas ao Ambiente (Energética do Ambiente) pela Universidade de Aveiro.
Samagaio soma mais de 30 publicações científicas e a realização de auditorias de medição de níveis de ruído em diversas empresas. Coordena, desde 1996, o programa SOCRATES, no Departamento de Ambiente e Ordenamento.
Já quanto a André Sequeira, de 31 anos e que até agora trabalhou na empresa de construção civil Mota-Engil, a comissão afirmou “nada ter a opor à designação desta personalidade” para vogal executivo da STCP.
André Sequeira, licenciado em Economia pela Universidade Católica Portuguesa (Porto), entrou em 2003 na Mota-Engil, tendo assumido os cargos de adjunto do director financeiro da empresa em Luanda (Angola), controller de projecto em Cracóvia (Polónia), e director financeiro em Bratislava (Eslováquia).
Em relação a César Navio, de 45 anos e licenciado em Informática de Gestão pela Universidade Portucalense (Porto), a comissão considerou que, “atenta as experiências, possui o perfil para o cargo em causa”.
Em 1995, César Navio entrou para a antiga Junta Autónoma das Estradas, para a Direcção de Estradas do Porto, na qual deu apoio técnico ao sistema de informação contabilístico, bem como ao sistema de informação de empreitadas.
Entre 2002 e 2004, foi director da divisão administrativa e financeira da delegação do Porto do Instituto para a Conservação e Exploração da Rede Rodoviária e, desde 2010, desempenhava funções na gestão comercial da área do património na Unidade de Desenvolvimento Imobiliário da empresa Estradas de Portugal.
As reservas apontadas pela CRESAP a António José Lopes e a António Samagaio provocaram na sexta-feira à tarde, e pela terceira vez este ano, o adiamento da eleição dos novos órgãos sociais da Metro do Porto.
A lista com o nome dos administradores já tinha sido aprovada de manhã, com o voto contra de Gaia, na reunião da JMP.
A próxima assembleia-geral da empresa está marcada para dia 13, sendo que, até lá, o Governo e a JMP terão que encontrar 2 nomes consensuais e que sejam aceites pela CRESAP para ocupar aqueles cargos administrativos.
João Velez de Carvalho, ex-administrador da STCP, deverá presidir à Metro do Porto, cujo conselho de administração contará com mais um elemento executivo (indicado pela JMP) e 4 não executivos, 3 dos quais autarcas indicados pela JMP.
A STCP mantém-se, para já, com os 2 vogais executivos nomeados.
Desde Outubro do ano passado que o Governo fala na fusão da Metro do Porto com a STCP, tal como consta do Plano Estratégico dos Transportes (PET).









