A Assembleia Municipal do Porto aprovou a venda do edifício do Colégio dos Órfãos à Província Portuguesa da Sociedade Salesiana por 3,4 milhões de euros, com a garantia, nomeadamente, de que a instituição prosseguirá ali a sua obra.

O Bloco de Esquerda (BE) foi o único partido a votar contra a proposta. Através do deputado José Castro, o partido reconheceu o “papel relevante” que os Salesianos desempenham, mas mostrou-se contrário “a mais uma alienação” do património municipal. O deputado disse que a autarquia parece sentir “alívio por deixar de ter algumas obrigações”.

O negócio entre a autarquia e os Salesianos também levantou dúvidas à CDU. “Quando a esmola é muita, o pobre desconfia”, explicou Artur Ribeiro, estranhando que uma entidade queira pagar 3,4 milhões de euros por algo que já dirige.

“Não me parece ser gato escondido com rabo de fora”, entendeu, por seu turno, o deputado socialista Rodrigo Oliveira, sugerindo que a Sociedade Salesiana pretende “maior liberdade” para gerir o edifício e “recorre a um tipo de financiamento e apoios que a câmara não tem condições de lhes dar neste momento”.

O vereador Gonçalo Gonçalves confirmou, no geral, a convicção expressa por Rodrigo Oliveira, explicando que a instituição não pode, na presente situação, candidatar-se a apoios para a requalificação daquele imóvel, o que só será possível se for o proprietário.

Foi aliás a Sociedade Salesiana que propôs ao município “a aquisição onerosa” do edifício, que desde 1903 acolhe o Colégio dos Órfãos, com vista a “ampliar e qualificar a sua ação educativa” no Porto e paralelamente “promover um programa integrado de requalificação e valorização daquele prédio de inestimável valor histórico”.

“Ganhamos todos”, resumiu Gonçalo Gonçalves, porque os Salesianos garantem as obras de que o colégio necessita e “a permanência do fim a que tem estado adstrito”.

Questionado por Gustavo Pimenta, do PS, sobre o que se passou com o “contrato de comodato por 30 anos” assinado entre a instituição e a câmara em “Janeiro de 2009″ para a obtenção de fundos comunitários, Gonçalo Gonçalves afirmou nada saber sobre isso, desde logo porque, na altura, não era o vereador responsável pelo Urbanismo.

Apesar de não ter sido esclarecido, o PS votou a favor, explicando que o fazia por acreditar que “houve alterações de circunstância que terão impedido obter financiamento” através do referido contrato.

O Colégio dos Órfãos foi fundado em 1651, encontra-se desde 1903 nas suas actuais instalações – adquiridas pela câmara no século XIX – e começou a ser dirigido pelos Salesianos em Setembro de 1951.