Adriana Floret, arquitecta e presidente da direcção da Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Protecção do Património (APRUPP)

Adriana Floret é presidente da direcção da APRUPP. Fotos: AIP

Perceber o que é que o boom de bares e restaurantes na baixa do Porto fez a/por esta zona da cidade é ponto de partida para o encontro “Enquanto a noite cai – A noite como estratégia da reabilitação urbana”, a primeira de várias tertúlias que a recém-criada Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Protecção do Património (APRUPP) vai promover.

Na sessão de 12 de Julho – ainda sem local definido –, vão estar presentes empresários, moradores, técnicos e académicos. As tertúlias da APRUPP serão sempre na quinta-feira do mês, à excepção de Agosto, mês em que haverá um interregno.

A pedagogia é uma das estratégias defendidas pela associação criada em Abril, que “pretende divulgar boas práticas e formar” aqueles que trabalham em reabilitação urbana, explica ao P24 Adriana Floret, arquitecta e presidente da direcção do novo organismo. Para a APRUPP, o objectivo principal da reabilitação urbana deve ser a melhoria das condições de vida das pessoas.

Há cerca de um ano, Adriana Floret e David Afonso, do ateliê Floret Arquitectura, projectavam a criação de uma base de dados de boas práticas em reabilitação urbana. Estava lançada a semente desta organização sem fins lucrativos. Depois, ao frequentar a pós-graduação em Reabilitação de Edifícios, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Adriana conheceu os outros membros da actual direcção da APRUPP.

Plano de actividades

Para além das tertúlias, este ano, a APRUPP, que é constituída exclusivamente por pessoas individuais, quer organizar já “uma ou 2 formações práticas” e tem mesmo um grupo de trabalho que está a preparar o programa de cursos e workshops. “Contamos ainda em Outubro arrancar com as primeiras formações”, avança o sócio-fundador David Afonso.

No passado dia 15, a associação apresentou-se ao público em geral. Nos próximos meses, a direcção da APRUPP, que se reúne todas as semanas, fará contactos institucionais com entidades como a Câmara do Porto, a Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) e a Universidade do Porto.

A APRUPP, que já tem 40 associados, recebeu já o contacto do Grémio do Património, uma associação de empresas e profissionais que trabalham em reabilitação de edifícios e conservação do património e que mostrou interesse em trabalhar com a associação nacional criada no Porto.

A longo prazo

Com a base de dados, a APRUPP quer “promover e divulgar projectos de reabilitação, boas práticas, técnicas já testadas em alguns edifícios, como recuperar algumas patologias e os mestres que trabalham, por exemplo, na reabilitação do estuque”, explica Adriana Floret.

Emitir um parecer sobre a proposta de lei para a alteração do Regime Jurídico da Reabilitação Urbana e as medidas propostas para incentivar o crescimento económico nas áreas da reabilitação urbana e do mercado de arrendamento é outra das missões da APRUPP. A discussão pública do documento já terminou mas o projecto ainda não passou a lei e esta é uma forma de a associação ter, desde cedo, um posição pública sobre a matéria.

“Temos uma equipa multidisciplinar composta por sócios que mostraram interesse no assunto que vai tentar detectar os pontos negros da legislação”, diz David Afonso.

A criação de um repositório de materiais abrangente é outro projecto que está a ser alinhavado. A ideia é recolher e disponibilizar tudo aquilo que iria para o lixo quando se fazem obras em edifícios antigos: ” elementos de carpitaria, como as portadas, as caixilharias e os corrimãos, todo o tipo de elementos decorativos e até mesmo estruturais, como vigas de madeira ou telhas – as telhas do centro histórico do Porto, por exemplo, têm uma dimensão que não corresponde à actual”, nota Adriana Floret.

Dez anos de SRU

Já o Observatório da Reabilitação Urbana é uma iniciativa que pretende fazer um balanço dos 10 anos volvidos sobre a criação das sociedades de reabilitação urbana e apresentar as conclusões numa Trienal da Reabilitação Urbana.

“Em 2014, que é quando esta direcção conclui o seu primeiro mandato”, explica a arquitecta.

Um concurso de projectos de reabilitação e a publicação online de um boletim metodológico são outros projectos numa lista extensa de trabalhos.