Fátima Felgueiras

Fátima Felgueiras. Foto: DR

A ex-presidente da Câmara de Felgueiras Fátima Felgueiras, absolvida pelo Tribunal da Relação das acusações do processo “saco azul”, diz esta sexta-feira que os dirigentes do PS que não a apoiaram “devem sentir-se profundamente envergonhados”.

“Os dirigentes socialistas de então têm sérias responsabilidades. Eu acho que eles hoje devem sentir-se profundamente envergonhados”, afirma.

Fátima Felgueiras esclarece estar a referir-se a Ferro Rodrigues e Francisco Assis, que eram secretário-geral nacional e presidente da distrital do Porto, respectivamente, quando o partido tentou a expulsão, enquanto militante, da então autarca de Felgueiras.

“Não tiveram a coragem e o sentido de responsabilidade de avaliar com clareza, sob o ponto de vista político, o que estava a acontecer em Felgueiras com uma dirigente nacional”, acrescentou.

Para a antiga presidente, os dirigentes do PS de então “não souberam estar à altura da defesa da verdade, da honra e da intervenção política responsável”.

O Tribunal da Relação de Guimarães confirmou, esta semana, a absolvição de Fátima Felgueiras, no âmbito do denominado “processo saco azul”.

Segundo o seu advogado, com esta decisão de segunda instância, terminou o processo, garantindo não haver possibilidade de recurso.

Questionada hoje pela Lusa sobre se considera ser credora de um convite do PS para que regresse à condição de militante, Fátima Felgueiras respondeu que “caberá aos atuais responsáveis atuarem da forma que entenderem”.

Relativamente à possibilidade de regressar à vida política ativa, a ex-presidente da câmara disse ter “necessidade de fazer uma avaliação muito serena sobre se, no contexto atual, em termos políticos, valerá a pena uma cidadã honrada e séria querer voltar a expor-se”.

Fátima Felgueiras sublinhou ter passado, nos últimos 13 anos, por “uma situação imperdoável”, que a afetou de “uma forma que não tem mais remédio”.

“Já tive uma lição dura demais, imerecida, injusta e imperdoável, para mim, para Felgueiras e para a minha família”, insistiu.

A propósito de uma eventual recandidatura à Câmara de Felgueiras, respondeu:

“Sinceramente, neste momento, deixe-me saborear o alívio, porque aquilo que me fizeram foi mau demais e imperdoável”.

A antiga edil, que foi derrotada nas autárquicas de 2009 quando liderava uma lista independente, garante não “estar zangada com Felgueiras”, mas admitiu estar “zangada com todos os agentes político-partidários que não olharam a meios para atingirem os fins”.

Fátima Felgueiras admitiu, por outro lado, sentir-se hoje “aliviada”, mas também “profundamente triste”.

“No final de mais de uma dúzia de anos, os tribunais vieram confirmar que, tal como eu sempre disse, não pratiquei nenhum crime”, explicou, acrescentando que quem cometeu um foram os que “criaram este monstro”.

A ex-presidente criticou os que “andaram a acionar a justiça, a condicionar os tribunais, a mentir, a torpedear tudo, a utilizar a comunicação social para propalar mentiras durante tantos anos”.

“Tudo para dar cabo da minha carreira política e me retirarem de presidente de câmara”, concluiu.