Protesto Escola da Fontinha na Assembleia Municipal 16 Maio 2011

Esta não foi a primeira vez que o colectivo protestou em noite de Assembleia Municipal. Foto: Arquivo

A Assembleia Municipal do Porto rejeitou, esta segunda-feira, as propostas do Bloco de Esquerda e da CDU que defendiam o diálogo da autarquia com o movimento Es.Col.A.

O colectivo ocupou pela primeira vez a Escola da Fontinha há mais de um ano e vinha desenvolvendo várias actividades no edifício que antes se encontrava devoluto.

À RTP, o deputado do BE José Castro lamentou a “forma como o executivo municipal actuou nesta questão”. O bloquista considera que a mesma “demonstra uma absoluta incapacidade de gerir adequadamente e de uma forma civilizada os espaços públicos”.

Já Paulo Rios, deputado da bancada do PSD, disse que “esgotou-se a credibilidade primeira que este conjunto de pessoas inicial tinha” e que essas pessoas “foram sendo substituídas por outras, mais profissionais e principalmente completamente aprisionadas já de tiques partidárias”.

O deputado social-democrata lamentou o que diz ser “uma manipulação partidária”.

Activistas deram música

Ao final da tarde, o colectivo Es.Col.A esteve na praça em frente à Câmara do Porto para desenvolver as actividades que habitualmente desenvolvia na Fontinha, dirigindo-se depois, quando se iniciou a assembleia municipal, para as traseiras da autarquia com bombos e música.

A manifestação decorreu sobre o olhar atento da PSP que tinha vários efectivos e uma carrinha no local.

Sem a antiga escola primária da Fontinha para desenvolver as suas actividades, o movimento reuniu-se esta segunda-feira a partir das 18h30 em frente à Câmara do Porto, tendo realizado uma aula de ioga, um ensaio de uma peça pelo grupo de teatro e jogos de xadrez, numa iniciativa a que se juntou um grupo de música e bombos.

Cerca das 20h50, os elementos presentes deslocaram-se para as traseiras da Câmara Municipal, movimentação realizada sob o olhar da polícia, altura em que se iniciou a reunião da Assembleia Municipal.

Os manifestantes tocam bombos e outros instrumentos musicais, tendo construído um pequeno muro com tijolos onde pode ler-se: “Antes emparedado do que ocupado?”.

Nas traseiras da câmara há um perímetro de segurança marcado por grades, estando presentes elementos da PSP e da Polícia Municipal.

Em declarações aos jornalistas, o professor de teatro Luís Costa explicou que “o pessoal da Es.Col.A resolveu trazer para aqui as actividades que não consegue fazer na Fontinha”.

O responsável pelas actividades de teatro disse ainda que o grupo continua interessado em aparecer, sendo por isso feito o ensaio em frente à Câmara do Porto.

Já António Sérgio, do grupo de bombos que esta segunda-feira animou o protesto, afirmou aos jornalistas que os seus membros nunca tocaram na escola a não ser no dia 25 de Abril mas são simpatizantes das pessoas que iniciaram o movimento na Fontinha, tendo por isso vindo apoiar com aquilo que podem, neste caso a música.

“É mesmo para fazer tremer as paredes da Câmara”, frisou.

Foi há um ano

O Es.Col.A – Espaço Colectivo Autogestionado do Alto da Fontinha ocupou a antiga escola primária da Fontinha em Abril de 2011 para desenvolver um projecto sem fins lucrativos com várias valências, como aulas de desenho, ioga, teatro ou guitarra e um clube de xadrez para todas as idades.

O movimento foi despejado no dia 19 perante, segundo a Câmara do Porto, a “incompreensível recusa do grupo em aceitar as condições exigidas por lei”, nomeadamente a formalização do contrato de cedência (apenas até fim de Junho) e o pagamento de 30 euros mensais de renda.

Activistas do Es.Col.A e participantes nas comemorações do 25 de Abril ocuparam na quarta-feira a escola, em protesto contra o despejo, mas as entradas do espaço foram na quinta-feira entaipadas pela Câmara para impedir a reocupação.