CDU denuncia “fracasso” na reabilitação do Centro Histórico do Porto

Modelo de reabilitação do centro histórico não funciona, diz a CDU. Foto: Henrique Figueiredo
O vereador da CDU denunciou este domingo “o fracasso” da reabilitação do Centro Histórico do Porto e da intervenção da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), considerando que o actual modelo tem contribuído para a descaracterização da zona histórica da cidade.
Em conferência de imprensa, Pedro Carvalho defendeu que “a reabilitação urbana não pode ser encarada como uma mera operação de manutenção de fachadas, a preservação do edificado tem que ter como objectivo a preservação das comunidades locais e atracção de nova população”.
“Tem de ter como objectivo a revitalização da cidade, fomentando um mercado social de arrendamento e a possibilidade de adquirir a custos controlados. Só assim se poderá inverter o ritmo do despovoamento da cidade”, sublinhou.
O vereador comunista disse entender que “o que a SRU faz é exatamente o contrário, especulando com casas a preços proibitivos. O caso dos fogos reabilitados existentes para venda desde 2010 no quarteirão do Corpo da Guarda é disso evidente, com preços a variarem entre os 170 mil euros e os 275 mil euros, tendo a Porto Vivo-SRU apenas vendido um dos 10 fogos e entregado os outros a um agente imobiliário”.
“O que se tem vindo a verificar é a transferência de propriedade dos pequenos senhorios para o grande capital imobiliário e financeiro, a expulsão de moradores fragilizados para bairros municipais da periferia e a venda especulativa das habitações reabilitadas”, frisou.
Pedro Carvalho acrescentou que “o processo de reabilitação existente tem decorrido muito lentamente, ficando significativamente aquém das expectativas mas, principalmente, das necessidades da cidade. Dos 32 documentos estratégicos aprovados entre 2005 e 2009, que incidiam sobre 719 edifícios, foram celebrados 139 acordos de reabilitação (19%) entre a SRU e os respectivos proprietários, tendo-se iniciado 101 dessas intervenções”.
De acordo com dados oficiais, nos últimos 20 anos, o centro histórico do Porto perdeu 64% da população, ou seja, “perdeu população ao ritmo quase 3 vezes superior ao da cidade no seu conjunto”, salientou o vereador.
Ao nível do edificado, dos 1.796 edifícios que se encontram na área de reabilitação urbana do centro histórico, 4 % (78) encontram-se em ruína, 32% (575) em mau estado de conservação, 17% estão integralmente devolutos e quase 73% necessitam de obras de intervenção ou de reconstrução.











