Jardim da Cordoaria
A 13 de Janeiro de 2001, o Porto dava o pontapé de saída para o ano mais agitado do ponto de vista cultural que já conheceu. Arrancava a Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, três anos depois do “sim” da União Europeia à proposta da autarquia do Porto.

Proposto a 7 de Abril de 1997, pelo então presidente da Câmara do Porto, Fernando Gomes, o projecto receberia a aprovação de Bruxelas em Maio de 1998, juntamente com a cidade holandesa de Roterdão.

A agenda gigantesca incluiu espectáculos de teatro, música, dança, artes plásticas, circo, animação de rua, entre outras artes. O Dalai Lama encheu o Pavilhão Rosa Mota; Salman Rushdie participou nas conferências “Futuro do Futuro”; Serralves acolheu uma muito concorrida exposição de paisagens, de gigantes da pintura como Monet e Kandinsky; a Casa da Música, ainda sem edifício, já tinha um serviço educativo a pôr a população do Porto a interagir com artistas; Manoel de Oliveira estreou “O Porto da Minha Infância”, um dos filmes financiados pela Porto 2001

O mundo estava de olhos postos no Porto. E assim ficou, durante um ano.

O debate prossegue

Mas, 10 anos depois, o que fica? Há quem diga que a cidade mergulhou num vazio cultural. Outros criticam as obras que ficaram por fazer – ainda este mês, na cerimónia que assinalou os seus 9 anos de mandato na Câmara do Porto, Rui Rio disse que encontrou a “cidade esburacada pela Porto 2001″. Mas há também quem associe o actual dinamismo na baixa à visão urbanística da Porto 2011, que aplicou 44 milhões de euros (do investimento total de 226 milhões) na reabilitação da baixa, a zona com mais intervenções.

Há quem diga que depois da Capital Europeia da Cultura ficou o vazio cultural e o imobilismo urbanístico. É o caso de Teresa Lago, presidente do Conselho da Administração da Sociedade Porto 2011 entre 1999 e 2002, que, em entrevista ao P24, critica a atitude de Rui Rio para com o legado da iniciativa.

Mas há também quem prefira sublinhar as várias obras que se arrastaram, com prejuízo para os cidadãos. Atrasos que são fruto, segundo Nuno Cardoso, presidente da Câmara do Porto entre 1999 e 2002, de ambição excessiva.

Um legado, apesar de tudo
Mesmo com atrasos, com ou sem criação de públicos, há um legado Porto 2001. Foram reabilitados algumas das principais estruturas culturais da cidade, entre as quais o Museu Nacional Soares dos Reis, o Teatro Carlos Alberto (reaberto só em 2003), o edifício da antiga Cadeia da Relação, transformado em Centro Português de Fotografia, e o Mosteiro da S. Bento da Vitória. A Porto 2001 também projectou e financiou (mas não concluiu a tempo do início da festa) a Casa da Animação.

Noutros pontos da cidade, a Porto 2001 construiu o Edifício Transparente, uma construção polémica, reabilitou a frente marítima e zonas de Massarelos.

A principal herança foi, contudo, aberta apenas em 2005: a Casa da Música, um edifício que pôs o Porto nos roteiros do turismo cultural, tanto pela sua agenda, como pela arquitectura. Mas, ainda assim, custou cerca de 100 milhões de euros, o triplo do orçamentado em 1999.