A Porto 2001 vista pela comunidade Porto24: da “aventura bem-sucedida” ao “fracasso”
O P24 lançou a pergunta na sua página no Facebook: que balanço fazem da Porto 2001? As respostas não se fizeram esperar e espelham o legado polémico da Capital Europeia da Cultura, ainda hoje motivo de debate na cidade.
“A única evidência de que o Porto 2001 alguma vez existiu, parece-me ser a Casa da Música. (…) Não fosse ela feita de betão e teria também desaparecido”, disse Tiago Ferreira, músico que edita enquanto Cavalheiro. “A total inexistência de um legado imaterial é um fracasso.”Mais optimista, o geógrafo José Rio Fernandes diz que foi uma aventura “consideravelmente bem-sucedida”. Destaca como pontos positivos “a criação de públicos com hábitos culturais (designadamente no âmbito da chamada música clássica)”, mas lembra, também, que “a adesão a Serralves e outros espaços culturais ganhou outra expressão após 2001″.
Rio Fernandes elenca um ponto que é também destacado por outros utilizadores: “a valorização urbanística de espaços de inovação de criatividade, com destaque para o quarteirão Elísio de Melo e toda a envolvente da actual reitoria da Universidade do Porto”. Fala das novas lojas e bares que surgiram em ruas como a Cândido dos Reis, Galeria de Paris e José Falcão, todas repensadas pela Porto 2001.
André Gomes concorda: a Capital Europeia da Cultura deu “o pontapé inicial na reabilitação, que, apesar de tudo, se tornou mais real nos últimos anos e, sobretudo, pelas mãos de privados”.
“É verdade que existe uma relação causa-efeito entre as obras de 2001″, contrapõe Fernando Martins, mas “esta nova dinâmica sociocultural nasce e cresce da teimosia e ‘urgência criativa’ de uma geração (ou gerações) feita de ‘privados’, de massa crítica ciente do potencial incrível desta cidade”. Para Maria João dos Reis, “não foram uns meses de cultura institucional passados 8, 9 ou 10 anos antes que semearam este novo crescimento”.
“Iniciativas culturais estancaram”
Vítor Silva diz que ficou demonstrado que “existiam públicos disponíveis no Porto (cidade e área metropolitana) para determinados eventos”. Mas, para Paula Alves Silva, “prepararam-se eventos culturais um tanto ou quanto elitistas para um público que era, na sua maioria, culturalmente iletrado”. “Infelizmente, com o fim da Porto 2001, também as iniciativas culturais estancaram”, lamenta.
Rio Fernandes aponta críticas a Rui Rio, eleito autarca no final de 2001, que “nunca percebeu o papel da cultura e da criatividade na animação, afirmação e criação de riqueza na cidade”. “Com todas as críticas que lhe possam ser feitas, sobretudo em resultado da necessidade de fazer muito em pouco tempo (e, portanto, nem sempre bem), teve reflexos notáveis na cidade (espaço e pessoas), lamentavelmente interrompidos [por Rio]“, refere.












Felizmente,tenho um arquivo de video/digital,em que os momentos mais marcantes de actuações de rua,como o dia Ponte de Sonhos , Viagem Mágica S.Bento/Gaia, na integra,e ainda Poesia em Linha no Electrico-Foz-Ribeira.Talvez um dia,as imagens saem para a Rua, no Porto.Abraço.Antonio Bessa