Esta quarta-feira, ainda estavam a ser colocados os varandins. Fotos: Ana Isabel Pereira

O Porto tem, finalmente, um skate park. A inauguração do equipamento, que fica no Bairro de Ramalde do Meio e cuja construção começou em Novembro, deverá acontecer em breve.

O equipamento está a ser construído pela Águas do Porto, “no âmbito do Projecto Ribeiras do Porto, cujo lema é ‘Despoluir, Desentubar e Reabilitar’”, explicou, por escrito, ao P24 fonte oficial da Câmara do Porto.

“O parque está em fase de licenciamento pelas entidades competentes” e nasce à boleia das “obras de requalificação das margens da Ribeira da Granja”, o maior curso de água que atravessa a cidade e que passa ali em Ramalde, que aquela empresa municipal tem em curso.

A ideia é “atrair a população, sobretudo jovem, e dar a conhecer as ribeiras da cidade e a sua importância em meio urbano”.

Últimos retoques

Esta quarta-feira, funcionários da Águas do Porto ainda colocavam varandins em ferro, que estavam parados naquela empresa municipal e que ainda iam ser pintados, nos quarter pipes. Assim se chamam as rampas curvas que fazem um quarto de circunferência. Para além dos 2 quarter pipes, o skate park, construído em betão, tem uma pirâmide com curb a acompanhar e um curb em flat (um obstáculo semelhante a um banco, no chão).

No local, decorriam ainda trabalhos de jardinagem, uma vez que à volta do equipamento, onde antes havia “mato” e lixo, nascerá uma zona relvada.

Contactada no início da semana, a Câmara do Porto esclareceu esta quinta-feira que o seu objectivo é “promover o usufruto dos espaços naturais pela população e visitantes” e que o skate park, junto à Rua D. João Coutinho, ” funcionará como estrutura lúdica de ligação entre o tecido urbano e a linha de água reabilitada”.

Nas imediações do novo equipamento, ficam ainda o Bairro Central de Francos, o Bairro do Viso, o Agrupamento Habitacional do Viso e, do outro lado da linha do metro, o Bairro das Campinas.

Os trabalhos de limpeza do terreno, junto ao Bloco 1 do Bairro de Ramalde do Meio, onde está agora o skate park “começaram em Setembro” e a construção, que no início também se fez à noite, arrancou em Novembro, disseram ao P24 os moradores da zona.

Skaters queriam mais

Skate parks são sempre bem-vindos. Este não é lá grande coisa… Vamos lá dar aulas de skate, mas vamos continuar na Casa da Música!”, diz ao P24 José Lucas, da loja e escola de skate Bollywood.

À volta do skate park, nascerá uma área relvada.

José ainda não esteve no novo equipamento, mas já sabe como é o skate park. É que uma notícia como esta espalha-se rápido. Apesar de há muito reivindicarem um equipamento destes — esta é uma causa antiga para os skaters do Porto, que apesar de não terem, até agora um skate park, já competiram no estrangeiro — os praticantes da modalidade com quem o P24 falou não mostram grande entusiasmo.

Porquê? “Porque não é grande coisa. O Porto podia ter feito muito melhor!”, refere Lucas, para quem este skate park “vai servir de pretexto aos políticos da Câmara do Porto para dizerem ‘Agora, já há um skate park, já não podem andar na Casa da Música, na Batalha, nos Leões, etc.. Têm de ir para o skate park…”

Em relação ao equipamento propriamente dito, José Lucas preferia que a autarquia tivesse optado por um skate park indoor, com uma “pool, como a que está em Ermesinde” e um mini-half pipe, por exemplo.

O facto de o equipamento ser fixo também é apontado como um senão. Um “skate park de ser sempre remodelado todos os anos! Senão, o pessoal fica cansado de andar sempre na mesma cena…”, diz o responsável pela Bollywood.

Outro skater que falou ao P24 mas não quis ser identificado pensa “que o equipamento é muito pouco e não cobre as necessidades dos skaters do Porto”, acrescentando que “a localização é péssima”.

Soube da localização do skate park através de uma fotografia publicada por um amigo no Facebook, mas é peremptório: “Não tenciono ir para lá andar porque é uma zona perigosa e os obstáculos não merecem o risco de ser roubado”.

Moradores indiferentes

Sentadas a alguns metros do novo equipamento, 3 mulheres conversavam sobre outros equipamentos que faltam na zona quando o P24 foi ao local. “Não me incomoda, mas tenho pena que não façam nada para as crianças”, disse Álida Pinto, moradora ali perto e que estava na rua a passear os 2 cães. É esta reformada quem chama a nossa atenção para os poços de saneamento escondidos pela vegetação a escassos passos do skate park e onde os toxicodependentes que frequentam o local consomem droga “durante o dia”.

Emília Miranda, moradora no Bairro Central de Francos, está de passagem, mas pára para concordar com a vizinha. Onde mora, “à face da estrada, há 2 parques” ao abandono, lamenta. “Arrancaram tudo. Aquilo já está assim há muitos anos. E ao lado tem um campo de futebol. A câmara podia era arranjar aquilo. O meu filho tem 13 anos e ainda pode brincar. Para onde é que ele vai? Vem para aqui.” Emília diz que, por ali, também faz “muita falta um tanque para lavar” peças pesadas como edredões e tapetes.

Este artigo foi actualizado às 22h, com os esclarecimentos da Câmara do Porto sobre o skate park.