Mandela Day nos Aliados

Foto: Alexandra D. Marques

Milhares de judocas ocuparam, esta segunda-feira ao final da manhã, a Avenida dos Aliados, no Porto, e conseguiram bater o recorde do Guinness da maior aula de judo de sempre. O título pertencia a Lisboa, com 4419 participantes, em 2011.

Apesar de à hora de publicação deste artigo ainda não se conhecer o número concreto de judocas que marcaram presença na mega-aula do Porto, as previsões apontavam para 7 mil participantes.

“As imagens falam por si, o Porto aderiu muito bem”, afirma Nuno Delgado, um dos nomes maiores do judo português e promotor do evento. “Temos aqui uma mega-aula para a vida e uma experiência muito importante para estas crianças”.

O evento, integrado no “Mandela Day”, é uma parceria entre o movimento Achive, Collect & Give Back e a Câmara do Porto e tem como intenção passar uma mensagem de “superação, auto-conhecimento e solidariedade àqueles que têm mais dificuldades e menos oportunidades”.

Nuno Delgado marcou presença no TEDx O’Porto 2011 e, tal como aí, o que pretende transmitir é a ideia de que “um campeão tem de ser sempre solidário”. “Ninguém consegue conquistar nada sozinho, nós precisamos uns dos outros para sermos mais fortes”, acrescenta.

O “Mandela Day” é também uma homenagem a Nelson Mandela, ex-Presidente da África do Sul.

O trânsito nos Aliados foi cortado das 9h às 13h, o que causou transtorno a muitos dos condutores que seguiam para o trabalho.

Judo solidário

No Porto, o judo solidário habita nas instalações da Escola Básica 1 de São Tomé, com 2  tipos de projectos diferentes.

“Um dos projectos chama-se Blocos de Judo, é escolar e para todos os alunos da escola; outro é o Centro Hajimê, que envolve alunos de 3 escolas básicas próximas umas das outras”, explica Pedro Pinheiro, treinador de judo dos cerca de 160 alunos que integram estes projectos no Porto.

Nos Blocos de Judo recebem-se crianças desde o jardim de infância (3 anos) até à 4ª classe (10 anos), enquanto que nos centros Hajimê apenas se aceitam crianças dos 6 aos 10 anos.

A palavra Hajimê é japonesa e significa “começar”, o que reflecte a nova oportunidade que estas crianças recebem pelo desporto.

Uma possível expansão fica em aberto e dependente da boa vontade das pessoas. “Apelamos às pessoas para que contribuam para a bolsa de valores sociais, tal como para o nosso projecto com o Lidl, em que estamos a vender pulseiras a 1 euro; esse euro reverte inteiramente para a escola de judo”, afirma Pedro Pinheiro.

“Havendo dinheiro e vendendo-se muitas pulseiras, pode ser que possamos abrir mais centros, não só no Norte, mas por todo o país”, acrescenta.