Manuel Centeno, um profissional de bodyboard não assumido. Foto: Pedro Rios

É arquitecto, mas nos últimos tempos praticamente só tem pensado em ondas. “Arquitectos como eu há milhares; bodyboarders não”, diz. Manuel Centeno, 29 anos, tem razão: é campeão nacional e campeão europeu de selecções de bodyboard.

Por agora, alternar o bodyboard com a arquitectura dá-lhe “equilíbrio”. “Cheguei ao final do ano passado saturado de viagens [devido ao bodyboard]. É cansativo”, diz o bodyboarder portuense.

Começou a surfar em 1993, influenciado pelos primos. “Os nossos primos são os nossos heróis”, conta. Entrou na água e ficou apaixonado pelo desporto, que praticaria em Leça da Palmeira. “Competitivo por natureza”, entrou num campeonato quando “mal sabia surfar”: perdeu.

Para se redimir, em 1995, entrou no campeonato nacional de cadetes. ”Cheguei à final dos juniores [uma categoria acima]“, recorda.

Apesar do “vício gigante”, Centeno nunca pensou viver do bodyboard – as aulas e, depois, o trabalho foram sempre as prioridades.

Nos últimos anos, as viagens a destinos como o Havai e a Indonésia, suportadas financeiramente por um patrocinador, fazem com que se veja como um bodyboarder profissional, embora “sem o assumir”.

Além da competição, a dedicação ao desporto é visível também nas aulas que dá em Matosinhos, na sua escola de surf Linha de Onda. “Não é um grande negócio”, diz. Mas não é o dinheiro que o motiva: “Quero formar atletas”.