Nuno Mendes e Pedro Fraga. Foto: missaolondres2012.pt

Nuno Mendes e Pedro Fraga. Foto: missaolondres2012.pt

O Sport Clube do Porto classificou esta segunda-feira de “anedótico e desprestigiante” o facto de o Sporting “reivindicar” mérito no quinto lugar da dupla de remo Nuno Mendes/Pedro Fraga nos Jogos Olímpicos de Londres2012.

“As declarações dos presidentes do Sporting [Godinho Lopes] e da federação [Rascão Marques], capitalizando os resultados dos atletas olímpicos Pedro Fraga e Nuno Mendes, são um aproveitamento descarado e muitíssimo pouco ético de um enorme esforço de terceiros, para o qual pouco ou nada contribuíram, ou que até dificultaram”, diz o clube pelo qual os remadores competiram até este ano.

A instituição presidida por Barros Vale é dura com os “leões”, com quem mantêm um diferendo em tribunal quanto ao clube por quem Fraga e Mendes competem: após uma primeira vitória do Sporting na justiça, os portuenses aguardam a avaliação do seu recurso para o Tribunal Administrativo de Lisboa.

“Não tendo o Sporting Clube de Portugal qualquer estrutura desportiva na modalidade de remo – nem barcos, nem treinadores, nem atletas, ou sequer remos – é completamente anedótico e até desprestigiante que venha agora reivindicar como sendo seu um resultado que não passa do esforço de um outro clube, o Sport Club do Porto [clube pelo qual os atletas estão registados oficialmente no Comité Olímpico Internacional], e que durante 8 anos tudo apostou naqueles valores nacionais”, vincam.

“Verdade e ética desportivas”

Em nota publicada no site do Sporting, Godinho Lopes destacou o “resultado extraordinário” da dupla, “até ao momento a melhor prestação portuguesa nos Jogos Olímpicos”, considerando que a contratação dos portuenses “foi uma aposta ganha que veio reforçar o ecletismo do Sporting”.

O Sport fala em “declarações despropositadas e infundamentadas” de Godinho Lopes, enquanto as de Rascão Marques diz serem “a prova do seu despudorado descaramento, sabendo toda a comunidade do remo a vida negra que desde sempre fez àqueles atletas, tendo-os expulsado 2 vezes da selecção nacional, e mantendo mais de 8 meses de pagamentos em atraso ao seu treinador”.

“Até os barcos – skifs – para o treino técnico da dupla olímpica tiveram que ser comprados e pagos pelo Sport, porque a federação não o fez… Não bastava o senhor Rascão Marques ter provocado o naufrágio da FPR, podendo a sua insolvência ser decretada já no próximo dia 22, como ainda tem a enorme lata de tentar aproveitar-se do resultado olímpico, como se de uma bóia de salvação se tratasse”, critica.

Após o quinto lugar nos Jogos, Rascão Marques disse que “se todos os portugueses tivessem um pensamento a nível nacional antes de pensar no seu interesse pessoal, no seu umbigo e quintinha talvez o país pudesse caminhar de uma forma diferente”.

O Sport Clube do Porto fala em “verdade e ética desportivas” como os motores da sua indignação contra o “aproveitamento feito por 2 dirigentes que se deveriam ter contido nas suas declarações, dado que um nada fez pelo remo, e outro muito o prejudicou”.