Opinião: Contas à moda do Porto?! – Rui Sá

Foto: Arq/Miguel Oliveira

Foto: Arq/Miguel Oliveira

Tenho assistido à pseudo discussão que alguns candidatos à Presidência da Câmara Municipal do Porto procuram fazer em torno das chamadas ”contas à moda do Porto”.

Rui Moreira diz que esse é um atributo de Rui Rio, de quem se reclama herdeiro (apenas dos ativos, dado que, quanto aos passivos, é ”independente”), razão pela qual se reivindica das ”contas à moda do Porto”. Manuel Pizarro, membro do Governo ”despesista” de Sócrates e candidato do partido cujos presidentes de câmara são acusados de despesistas e responsáveis pelo endividamento do município do Porto, agora também defende as ”contas à moda do Porto”… E L. F. Menezes, sabendo que isto das ”conta à Moda do Porto” serve, essencialmente, para contrapor às ”contas à moda de Gaia”, gasta rios de dinheiros públicos para ”provar” que, afinal, também ele é adepto das ”contas à moda do Porto”!

Mas, no meio destes jogos florais, ninguém discute, verdadeiramente, as contas do Município do Porto. Entrando, desse modo, no jogo de Rui Rio que, no âmbito das suas ambições políticas, lançou uma poderosa campanha para se promover como gestor rigoroso, como homem de visão, que se tivesse sido ouvido e seguido pelos governantes nacionais, talvez Portugal não se encontrasse no estado em que se encontra e, quiçá, talvez integrasse mesmo o G20… Enfim, tal como Cavaco, que governou o País durante 10 anos com a auréola de grande gestor mas que, passados 20 anos, todos reconhecemos ter sido um dos primeiros coveiros do buraco em que nos encontramos.

Pela minha parte, e fruto dos 12 anos de Vereador a que somo outros tantos de Deputado Municipal, conheço bem as contas do Município do Porto. E elas são tudo menos ”contas à moda do Porto”. Exceto num aspeto: gastam menos do que recebem. Aspeto sem dúvida importante, mas o drama é que, ao longo destes 12 anos, a coligação PSD/CDS (ou seja, os partidos que apoiam L. F. Menezes e Rui Moreira) não conseguiu aumentar a receita (salvo através de aumentos brutais de taxas municipais) e, quanto à despesa, apenas conseguiu diminuir o investimento, aumentando, até, as despesas de funcionamento, ou seja, os custos da estrutura municipal.

Vou dar, apenas, dois exemplos factuais da atual gestão municipal que são tudo menos ”contas à moda do Porto”.

Rui Rio (pela mão do Vereador líder distrital do CDS que apoia entusiasticamente Rui Moreira) decidiu privatizar a limpeza da cidade. Disse que tinha uns estudos técnicos (que nunca apresentou) que provavam que, com a privatização, a Câmara pouparia cerca de 700 mil euros anualmente. Lançou o concurso público com uma base de 5,4 milhões de euros/ano. No entanto, adjudicou esses mesmos serviços por 7,1 milhões de euros. E, no primeiro ano completo em que essa concessão funcionou, pagou 8,1 milhões de euros! Nos anos seguintes, esse valor aumentou, tendo-se situado, em 2011, nos 10,2 milhões de euros – num quadro de redução dos resíduos sólidos produzidos!

Ou seja, de uma poupança ”prevista” de 700 mil euros anuais, a concessão da limpeza traduziu-se num aumento anual de cerca de 5 milhões de euros! Isto não são ”contas à moda do Porto”! Isto é, apenas, um caso de gestão danosa de quem se intitula como ”rigoroso”. Uma situação que não anda longe do escândalo dos contratos ”swap”, de que, aliás, Rio é um dos responsáveis enquanto administrador, principescamente pago, da Metro do Porto.

Mas, além do brutal aumento de algumas despesas, a coligação PSD/CDS distinguiu-se pelo desperdício de receitas! Apenas dois exemplos: o Município do Porto tinha aprovadas candidaturas que lhe garantiam um financiamento de cerca de 5 milhões de euros para a requalificação do troço poente da Circunvalação e de cerca de 6 milhões de euros para a requalificação do Pavilhão Rosa Mota. Nada fez, vendo-se obrigado a renunciar a estes financiamentos!

Por isso, senhores candidatos do PSD, PS e CDS: discutam as contas com que pretendem governar a cidade; mas tenham em consideração que as contas que vão herdar são tudo menos ”contas à moda do Porto”!

Rui Sá escreve segundo o novo acordo ortográfico.

Rui Sá
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