Venda ambulante de bebidas na baixa do Porto

Os proprietários dos bares apontam o dedo, por exemplo, aos vendedores ambulantes. Foto: Nataniel Diogo

Esta sexta-feira, as centenas de pessoas que se dirigiram à baixa do Porto para se divertirem encontraram os principais bares da zona fechada.

Vários estabelecimentos de diversão nocturna aderiram a um protesto organizado pela Associação de Bares da Zona Histórica do Porto (ABZHP) e mostraram a sua “indignação” com as medidas aprovadas pela Câmara do Porto para regular a movida da baixa.

O protesto foi “um gesto de indignação por quem não é culpado pelo botellón“, podia ler-se nas montras dos espaços.

Vários bares estiveram de portas cerradas e com uma faixa preta, nas montras ou pendendo de varandas. Foi na Rua Galeria de Paris, a artéria onde o fenómeno da movida começou, que o protesto foi mais sentido. Fechados estavam, por exemplo, os bares Casa do Livro, É P’ra Poncha, La Bohéme, Era uma vez em Paris e Alma.

Na Rua Cândido dos Reis, o Auditório Club era um dos que estavam fechados. O Tendinha dos Clérigos (Rua Conde Vizela) e Armazém do Chá (Rua José Falcão) também fecharam portas esta sexta-feira.

As novas regras, que constam da proposta a 27 de Março pelo executivo, obrigam os proprietários dos bares a adquirir um limitador de potência sonora e a reduzirem os horários de funcionamento. Ora, os empresários que esta sexta-feira fecharam portas dizem que o barulho e o lixo não são causados pelos seus negócios.

A proposta aprovada pela autarquia estipula que todos os “estabelecimentos de restauração e/ou bebidas e recintos de diversão” só podem estar abertos até às 2h e diz que o alargamento de horário só será autorizado “até às 4h”, ao fim-de-semana e véspera de feriado e depois de consultadas várias entidades.

“Se querem fazer um regulamento, que isto não é um regulamento, que façam para a cidade toda. Com estas medidas, promovem a concorrência desleal. Tratam uns como marginais e outros vão ter a possibilidade de fazer o que lhes apetece. Achamos que todos tem de ter os mesmo direitos e todos tem de cumprir com os mesmos deveres. Não podemos permitir que vão isolar e reduzir os horários aqui e em contrapartida noutras zonas poderão ter horários mais alargados”, disse o presidente da ABZHP António Fonseca, à RTP.

Duarte Pestana, em declarações à mesma televisão, disse que nem os limitadores de som nem a redução de horários resolvem o problema. “No meu ver não está aí o foco do problema. Está nos vendedores ambulantes, na venda de garrafas para a rua. Eu não faço isso aqui no meu estabelecimento. Ninguém sai com garrafas nem com copos de vidro”, garantiu o proprietário do É P’ra Poncha.

Já José Pedro Maia, empresário ligado aos projectos Casa do Livro, Book, Praça e Baixa 22, entende que o que “ contribui para o barulho e para a sujidade na rua” é a “anarquia” a que a baixa chegou, com “bares que não têm condições para ser bares e que têm janelas abertas para a rua só para vender”. Segundo disse à RTP, as novas medidas vão prejudicar os “bares que gastaram dinheiro, que investiram e que fizeram aquilo” que a câmara lhes “pediu”.

“Ando há 20 e tal anos na noite, no sentido em que sou empresário, e é a primeira vez que me vão obrigar a por uma pulseira electónica para regular a minha vida”, disse à RTP Mário Carvalho. O proprietário do Café Lusitano referia-se ao “aparelho que vai registar os horários” e que “funciona como uma pulseira electrónica”.

Na noite em que vários bares fecharam portas em protesto contra as medidas para regular a noite na baixa, a PSP identificou 11 vendedores e apreendeu 8 carros de cachorros.