Tribunal diz que Manuel Leitão quis insultar Rio
O tribunal considerou que o empresário Manuel Leitão, responsável pelo guia “Porto Menu”, quis chamar “filho da puta” ao presidente da Câmara do Porto ao colocar na capa da revista “Rio és um fdp”.
“A leitura mais comum será a de que a sigla expressa o significado ‘filho da puta’ e não a alusão a uma qualquer paixão ou hobby do presidente da Câmara do Porto”, escreve a juíza na decisão que consta do despacho proferido hoje.
No documento, a que a Lusa teve acesso, o tribunal entendeu que a inscrição “Rio és um fdp” colocada no edifício da capa da revista “é ofensiva do direito” de Rui Rio “por permitir concluir que visa apelidá-lo de filho da puta”.
Assim, a magistrada manteve as providências cautelares aceites em tribunal a 26 de Junho para impedir a distribuição da revista e retirá-la dos sítios onde já tinha sido colocada.
“Quem ler Rio és um fdp na parede de um edifício da cidade, certamente no seu espírito não lerá Rio és um fanático dos popós ou és um Filho de Deus”, observou a juíza.
O despacho considerou “factos não provados” que com a expressão “Rio és um fdp” Manuel Leitão “não tenha tido como objectivo ofender” o autarca e que o empresário “não tenha tido a intenção” de lhe chamar “filho da puta”.
Recurso?
Manuel Leitão não quis prestar declarações aos jornalistas, mas o seu advogado admitiu a possibilidade de recorrer da decisão.
Contudo, o despacho da juíza esclarece que a decisão se baseou também no facto de a “oposição” apresentada em tribunal pelo empresário configurar, formalmente, “um recurso”.
“Assim sendo, também por aqui sempre deveria improceder a oposição”, escreve a juíza.
O advogado do presidente da autarquia confirmou a existência de uma “acção principal para efeitos ressarcitórios”, mas não especificou o montante em causa.
No processo cautelar, a que a Lusa teve acesso, o advogado solicitava ao tribunal que fosse “fixada a sanção pecuniária de mil euros por cada dia de atraso na recolha/retirada” da publicação.
“Decadência”, diz Rio
Rui Rio alertou esta sexta-feira para a “decadência” do regime por ter sido chamado a tribunal para responder se é um “fanático dos popós”.
“Considerando que estou à porta do tribunal que há uns anos considerou que chamar energúmeno ao presidente da Câmara do Porto é um acto de liberdade, veio aqui um energúmeno dizer se é um fanático dos popós”, lamentou, em declarações aos jornalistas.













“Considerando que estou há porta” deveria ler-se “Considerando que estou à porta”…
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Mas os tribunais não têm mais nada que fazer que julgar – tão rapidamente – casos tão ridículos como estes? E a justiça para os pobres que demora uma infinidade? Que vergonha para todas as partes envolvidas!